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Biografia
Leila
Roque Diniz nasceu no dia vinte e cinco de Março de 1945,
em Niterói, Rio de Janeiro, onde passou a maior parte de sua
vida. Formou-se em magistério e foi ser professora do jardim
de infância no subúrbio carioca. Aos dezessete anos de idade,
conheceu o seu primeiro amor, o cineasta Domingos Oliveira
e casou-se com ele. O relacionamento durou apenas três anos.
Foi nesse momento que surgiu a oportunidade de trabalhar como
atriz. Primeiro estreou no teatro e logo depois passou a trabalhar
na Globo fazendo telenovelas. Mais tarde, casou-se com o moçambicano
e diretor de cinema, Ruy Guerra, com quem teve uma filha,
Janaína.
Participou de quatorze filmes (que quase não são exibidos),
doze telenovelas e muitas peças teatrais. Ganhou na Austrália
o premio de melhor atriz com o filme Mãos Vazias.
Leila
Diniz quebrou tabus de uma época em que a repressão dominava
o Brasil, escandalizou ao exibir a sua gravidez de biquine
sem nenhum pudor, e chocou o país inteiro ao proferir a frase:
" Trepo de manhã, de tarde e de noite".
Era uma mulher a frente de seu tempo, ousada e que detestava
convenções. Foi invejada e criticada pela sociedade machista
das décadas de sessenta e setenta. Era malvista pela direita
opressora, divamada pela esquerda ultra-radical e tida como
vulgar pelas mulheres de sua época.
Além de ser jovem e bonita, Leila era uma mulher de atitude.
Falava de sua vida pessoal sem nenhum tipo de vergonha ou
constrangimento Concedeu diversas entrevistas marcantes à
imprensa, mas a que causou um grande furor no país foi a entrevista
que deu ao Pasquim em 1969. Nessa entrevista, ela a cada trecho
falava palavrões que eram substituídos por asteriscos, e ainda
disse: " Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para cama
com outra. Já aconteceu comigo". Nos dias atuais, essa frase
soaria mais que normal aos nossos ouvidos, mas é preciso lembrar
que Leila a proferiu numa época em que se defendia cegamente
a " a moral e os bons costumes".
O
exemplar mais vendido do Pasquim foi justamente esse onde
houve a publicação da entrevista Da atriz carioca. E foi também
após essa publicação que foi instaurada a censura prévia à
imprensa, mais conhecida como Decreto Leila Diniz. Perseguida
pele polícia política, Leila ficou escondida na casa do colega
de trabalho e apresentador Flávio Cavalcanti.
Morreu
no desastre de um avião no dia quatorze de julho de 1972,
aos vinte e sete anos, no auge de sua fama, quando voltava
de uma viagem a Austrália. Um primo e advogado se dirigiu
à Nova Délhi, na Índia, local do desastre, para tratar da
morte da atriz. Acabou encontrando um diário onde continha
diversas anotações e uma última frase, que provavelmente estava
se referindo ao acidente: " Está acontecendo alguma coisa
muito es..."
Leila Diniz, "A Mulher de Ipanema" , defensora do amor livre
e do prazer sexual é sempre lembrada como símbolo da revolução
feminina ocorrida na década de sessenta.
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