Foto: Russ Wilson
Faculdade de Comunicação - UFBA

 

 



Vladimir Herzog

 

As contradições existentes nas versões dos médicos legistas Arildo Toledo Viana, Armando Canger Rodrigues e Harry Shibata prestadas na ação judicial desmentem claramente a morte por "enforcamento", oficialmente declarada. Ficava nitidamente patente que as versões oficiais eram dissonantes e divergentes, o que ratificava o fato como um assassinato e não como um suicídio, como os militares insistiram em afirmar. Muitos jornalistas, advogados, estudantes e professores, entre outros cidadãos, prestaram solidariedade ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais de SP e, sobretudo, à Família Herzog. Todo o país chocava-se e reconhecia que a situação recrudescera, afinal, acontecia mais um caso de desaparecimento súbito, misterioso e sem apurações dentro do sufocante panorama do momento.

Arrancar o diretor de "A Hora da Notícia" da Tv Cultura, acusando-o de subversivo era muito mais que um ataque à liberdade de expressão. Significava uma prova viva de intolerância irracional com o direito de ser humano, pautada no objetivo de emudecer profissionais que lidavam com a verdade. A impertinência dos detentores da "Segurança Nacional" ao caricaturar este homem de bem como um suicida de obscuras razões e como um fiel prestador de serviços ao comunismo foi um fato lúgubre no país de 75 em diante. Ficava, assim, evidente que o brasileiro estava sendo estrangulado pela sua própria honestidade, torturado por respirar os últimos resquícios de liberdade e desrespeitado por sonhar, sob dimensão humana, pelo seu direito inviolável de ser livre.

Daniela Andrade

Nota Oficial

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