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Janela Indiscreta
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HITCHCOCK Alfred Hitchcock, conhecido como “o mestre do suspense”, suplanta esta condição para se situar como um dos mais criativos cineastas da história do cinema. Inventor de fórmulas, contribui ao longo de sua carreira – 53 longas sem contar as curtas televisivas, com sua extraordinária “mise en scène”, para o aperfeiçoamento da linguagem cinematográfica. É possível dizer-se que sem Hitchcock o cinema não teria alcançado a sua maturidade narrativa, pois funciona como mola propulsora do seu desenvolvimento, A profundidade do cinema hitchcockiano é conseqüência de sua forma muito particular de estabelecer a “mise en scène, isto é, de configurar um estilo próprio e inimitável. O primeiro grande mérito de Hitchcock está, portanto, na transformação desta mecânica brilhante – que é o cinema – em um verdadeiro elemento de estilo, através da inteligência da narrativa cinematográfica e um conhecimento das reações do espectador – sempre identificado aos personagens – que cabe considerar sem precedente na história da arte do filme. Para ficar em apenas dois exemplos de seu gênio para manipular o específico cinematográfico: a célebre seqüência do Albert Hall – totalmente sem diálogos – de “O Homem Que Sabia Demais” (segunda versão), que consta de 125 planos e dura 12 minutos; e a cena do chuveiro de “Psicose”, um paradigma até hoje cultuado, reverenciado e imitado. A originalidade de sua obra reside em seus contrastes paradoxais: elege temas melodramáticos por excelência para tratá-los de modo assustadoramente cotidiano. O estilo de Hitchcock une de forma muito funcional as divergentes heranças clássicas de Murnau (movimentos de câmera) e de Eisenstein (montagem). O conhecimento da filmografia de Hitchcock proporciona uma compreensão das chaves do cinema É, em suma, um mestre da arte visual do século XX.
André Setaro Crítico de cinema e professor da FACOM /UFBA |
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