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Entrevista com o Vice Reitor Otto Jambeiro concedida ao estudante Paulo Mendes

Paulo Mendes - Quando foi que se iniciou a sua vinculação com a "faculdade de Comunicação" ?
Otto Jambeiro - Bem, antes de tudo é importante esclarecer que institucionalmente não existia faculdade de Comunicação na época, isto porque a minha ligação começou em 1968, e nesse ano iniciou o funcionamento do departamento do curso de Jornalismo, da qual eu fazia parte e não de Comunicação, como atualmente denominado.

Paulo Mendes - O Senhor esteve mais de vinte anos, vinculado ao curso, gostaria que me dissesse quando foi criado o curso de Jornalismo e onde funcionava ?
Otto Jambeiro - O Curso foi criado em 1950 e nasceu como curso de Jornalismo da faculdade de filosofia que funcionava em Nazaré, onde eu me formei em Jornalismo em 1966, sendo que em 1968 iniciei a minha atividade como professor do curso de Jornalismo, na escola de Biblioteconomia.

Paulo Mendes - Com a reforma Universitária em 1969, o curso de Comunicação foi deslocado da faculdade de filosofia e passou a funcionar na escola de Biblioteconomia, onde é o atual centro de informação da universidade. Como é que foi o processo de "acasalamento" entre os dois cursos no mesmo espaço ?
Otto Jambeiro - O Casamento que aconteceu exatamente em 1968, não foi um processo fácil, já que houve tentativas muito fortes de evitar que o curso de Jornalismo se fundisse com o de Biblioteconomia, tanto que nessa época havia uma proposta de criar a faculdade de Comunicação institucionalizada, mas a fusão veio mesmo assim a acontecer.

Paulo Mendes - O que foi feito, por parte do departamento do curso de Jornalismo, no intuito de impedir a vinculação, e para obter um espaço próprio ?
Otto Jambeiro - Nesse sentido nós realizamos várias reuniões com o pessoal do departamento e o reitor, para que não acontecesse a junção, mas isso se revelou insuficiente, já que posteriormente saiu uma decisão final do reitor e do conselho universitário direcionada para o funcionamento do curso na escola de Biblioteconomia, a partir de 68, cuja separação veio acontecer mais tarde, em 1987.

Paulo Mendes - Que acontecimento lhe merece consideração especial, e acha importante salientar durante todo o tempo que esteve ligado ao Curso de Comunicação ?
Otto Jambeiro - Eu acho que houve dois grandes momentos dignos de se salientar, que particularmente eu vivi intensamente quando fiz parte do departamento de Jornalismo, foram exatamente o "casamento" e o "divórcio" com a escola de Biblioteconomia, que na minha opinião se revelaram marcantes na história do curso de Comunicação, na Universidade Federal da Bahia.

Paulo Mendes - Voltando à questão do departamento de Jornalismo que foi criado em 69, a quando da mudança para a Escola de Biblioteconomia, eu lhe pergunto em que condições foi criado em termos de conselho diretivo e curriculum do curso?
Otto Jambeiro - O Curso tinha um departamento de Jornalismo que foi criado na escola de Biblioteconomia, que era que era digamos assim o mantedor do curso de Jornalismo, que era administrada por diretores de Biblioteconomia, até 1987 e tinha habilitação para Graduação e pós-graduação e duração era de três ( 3 ) anos.

Paulo Mendes - O que achou da experiência de ter estado vinculado, ao Curso de Jornalismo durante tantos anos ?
Otto Jambeiro - Na verdade foi uma experiência excepcional, maravilhosa, praticamente 32 anos também de momentos difíceis de muita luta, e dedicação com o único objetivo de levar o curso para a frente, e fazê-la evoluir cada dia mais.

Paulo Mendes - Em que circunstâncias foi possível conseguir o atual prédio, como é que foi o processo de votação, qual foi o resultado, sabendo que ali funcionava o antigo R.U ?
Otto Jambeiro - Não foi fácil a luta para conseguir, o prédio, esse já foi mais complicado. A votação para a obtenção do prédio foi quase unânime, houve apenas uma abstenção do conselho universitário, a favor da proposta de conceder-lo à faculdade de comunicação. Mas demorou até chegar a isso porque, havia uma complicação o que Comunicação queria inicialmente era ocupar o prédio onde hoje é o I.C.I., mas o pessoal de lá não queriam sair, a não ser se fosse para um prédio novo. Coincidentemente eu tinha acabado de ser nomeado como diretor de lá (do I.C.I.), e aí ficou parecendo que tinha sido mandado para lá com fim de desalojar o pessoal, uma coisa horrorosa, e não tinha sido nada disso, e fiquei contra porque era um absurdo querer desalojar o pessoal e mudar para o 2o. andar da Biblioteca central, onde nem elevador tinha, então houve uma resistência muito grande por parte do departamento de Biblioteconomia e assim continuaram nesse prédio.
Então apareceu a idéia de ocupar metade do prédio do R.U., idéia inicial era só metade sendo que a outra metade seria transformada em pavilhão de aula, (PAF) mas só que o departamento do Curso de Comunicação reivindicou o prédio todo, já que só a metade do prédio não era suficiente, e foi decidido através da votação no conselho universitário, com uma abstensão apenas que comunicação ocuparia o prédio todo, o protesto contra a doação foi muito também, principalmente por parte do DCE e dos estudantes, menos os de comunicação.

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