Overture

( A História )
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Pequena Históra dos Musicais

 

O gênero musical surge em 1927 quando O Cantor de Jazz (The Jazz Singer) inaugura a era do cinema falado. Embora este seja um filme bastante medíocre, ele causou o maior alvoroço e modificou radicalmente a arte de fazer filmes, pois nele estava o embrião do cinema falado. Não é necessário dizer que essa transição não foi nada fácil, mas aos poucos os filmes sonoros foram amadurecendo e o musical está entre os gêneros que mais contribuiram para isso. Sua natural noção de ritmo, espaço e tempo tornou-o muito importante para a sétima arte.

Desde o início o jazz e o blues se tornaram os estilos oficiais do musical, que sempre tomou como inspiração os palcos da Broadway, seja como cenário ou ao adaptar uma de suas peças. E também desde o começo a MGM assumiu a liderança na produção de musicais cinematográficos.

Na década de 30, ao lado dos filmes de gângster, ele se torna um dos gêneros mais populares. Todos queriam ir ver as figuras geométricas que Busby Berkeley desenhava com seus dançarinos ou a dupla Fred Astaire e Ginger Rogers que fez muita fama e dinheiro para os estúdios da RkO. A Maioria de suas comédias româticas musicais triunfavam pela combinação da classe de Astaire, do charme de Ginger e das maravilhosas músicas de Irving Berlin. Certamente o momento mais famoso desse triângulo é o número de Cheek to Cheek em O Picolino (Top Hat, 1935.)

Até aí ninguém cantava "de repente", no lugar de uma fala. Geralmente os personagens eram artistas ou estavam em alguma festa para justificar o canto e a dança. Mas em 1944 Vicente Minelli muda tudo isso com seu Agora Seremos Felizes (Meet Me in ST. Louis), talvez o primeiro marco revolucionário do musical. Era a hora de assumir a energia regente, organizadora, que o musical sempre possuiu. Escrachar a crença na sincronia universal e adquirir uma sbjetvidade protetora para que quando, num desses momentos de exaltação, um personagem começar a dançar ou a cantar, tudo pareça absolutamente "normal". Ora, o musical é o casamento feliz entre realidade e fantasia. É a consciência fundamental da relatividade.

Bem, portanto, pronto para amadurecer realmente, o musical chega a maioridade ao som de George Gershwin, letras de Ira Gershwin, roteiro de Alan Jay Lerner, direção de Vicente Minelli e coreografia de Gene Kelly: Sinfonia de Paris (An american in Paris, 1951.) Que filme maravilhoso! Todos em sua melhor forma! Um musical sobre a arte e as relações do artista: com a própria obra, com o púbico, com a matéria-prima, com o comércio... Sinfonia trouxe para o gênero uma grandiosidade, um vigor intelectual, sensível e sensorial nunca aqui vistos!

Bem, a década de 50 foi realmente agitada. Foram os anos de Ouro do musical clássico, com Cantando na Chuva (Singin' in the Rain,1952), A roda da Fortuna (The Band Wagon, 1953), Alta Sociedade (High Society, 1956)... Mais amadurecimento através da dose de dramaticidade e seriedade que Nasce uma Estrela (A Star is Born) trouxe em 1954. Mas ao mesmo tempo, foi o fim do próprio musical clássíco. Começou-se a sentir que era preciso mudar, acompanhando a energia revolucionária que estava nascendo naquele momento e que eclodiria com toda força na década de 60. O principal agente de tudo aquilo eram os jovens e o grande representante, o rock n’ roll. E como sempre a MGM saiu na frente ao contratar Elvis Presley para estrelar filmes musicais de Rock. E em 58 a MGM lança o canto do cisne do musical clássico: O excelente Gigi (1958)de Vicente Minelli.

Mas finalmente a mudança tão esperada chegou em 61. Amor, Sublime Amor (West Side Story) trouxe à fantasia dos musicais uma dose forte de realismo social, preocupado e engajado. Infantil e maduro, esta adaptação de Romeu e Julieta para as ruas de Nova York apresenta uma contradição estimulante entre fantasia e realidade. E inteligentemente compreende e ataca todo os envolvidos no drama da intolerância humana, sendo universal e "atual" por fazê-lo através de questões como a delinquência juvenil, que preocupava os pais nos fins de 50 e início de 60, e a crítica ao sonho americano, juntamente com a questão dos imigrantes.

 

Na década de 60 os musicais diminuem muito em número, mas os que foram feitos  são muito bons. Um dos exemplos é o fato de que mesmo com um número tão pequeno de produções, foi aqui que houve o maior número de oscar de melhor filme para  musicais: Amor, Sublime amor(61); Minha Bela Dama (My Fair Lady, 1964); A Noviça Rebelde(The Sound of Music, 1965) e Oliver(1968.)

E aqui também aparece o que talvez seja o único musical não hollywoodiano de grande importância : Os Guardas-Chuvas do Amor (Les Parapluies de Cherbourg, 1964). Dirigido por Jacques Demy, e com Catherine Deneuve, ele ganhou a palma de ouro em Cannes. A delicadeza, as cores, os diálogos inteiramente cantados, o elenco impecável... e a sensibilidade deste filme e de sua trilha, composta por Michel Legrand, traduzem com perfeição a tragédia do amadurecimento. Um belissimo filme que merece ser visto sem preconceitos.

Em 72 Bob Fosse dirige sua impagável obra-prima sobre a ascensão de uma estrela de Cabaret na Alemanha paralelamente a ascensão do nazismo. O realismo político, a ironia escrachada e cruel inundam agora a comédia musical hollywoodiana. É um filme brilhante, mas o musical parece não mais fazer sentido pra a maioria das pessoas.

A partir de 70 vemos surgir algumas inovações do gênero musical, tendendo cada vez mais a se afastar de suas origens e dos seus anos dourados. Alguns são bem interessantes como Os Embálos de Sábado à Noite (Saturday Night Fever, 1977) ou Fama (Fame, 1980).

A maioria das experiências das três últimas décadas soam como estranhos no ninho: O atrasado Hair que estreara na Broadway em 68 e só em 78 foi filmado, muito bem diga-se de passagem, por Milos Forman. Ou O Príncipe dos Mendigos (Mack the Knife, 1989) ou Yentl (1983.)

Nos anos 90, filmes de sucesso como Evita (1996) e Priscilla (The Adventures of Priscilla: Queen of the Desert, 1994) dão a entender que a estranheza parece estar indo embora. Mas sem dúvida o melhor da década está dentro dos estúdios Disney, principalmente nos primeiros anos, quando Howard Ashman ainda estava vivo e era o parceiro de Alan Menken. Obras como A Pequena Sereia (The Little Mermaid, 1989), A Bela e a Fera (Beauty and the Beast, 1991) e Aladdin (1992) têm um brilho, uma genialidade que os colocam, sem dúvidas, entre os melhores musicais do cinema. E para terminar, o que talvez seja o melhor da década, desta vez com gente de carne e osso na tela: Todos Dizem Eu Te Amo (Everyone Says I Love You, 1996). É a tradução perfeita da pós-modernidade para o gênero musical. A sátira, a homenagem, a ironia... E o elenco! Ah, como sempre, e aqui também, Woody Allen tira tudo que pode da melhor forma possível dos seus atores. Que delícia o filme! Até agora o melhor exemplo de como um musical pode ter tudo a ver com o nosso tempo . Então, por favor, mais musicais....

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