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Título da matéria: "O pior horror é repetir-se"
Veículo: Revista Interviú (Espanha)

Ainda é recente sua visita a Espanha e seus shows que reuniram multidões em Madri e Barcelona. Marisa Monte é a última e mais moderna grande voz da música brasileira. Dos seus dois primeiros discos, "Marisa Monte" e "Mais", vendeu 600.000 cópias; com o terceiro "Cor de Rosa e Carvão" alcançou os 750.000 e "Barulhinho Bom", sua última produção, já vendeu em apenas duas semanas 350.000 discos. Um grande sucesso se levamos em conta que a cantora não faz concessões às regras comerciais.

Pergunta - Chama a tenção que você, apesar de ter experimentado muitos sons alternativos, é claramente uma cantora de música brasileira. Como consegue unir um som tão carioca com tantas influências diferentes?

Marisa Monte - Quero que minha música esteja em constante evolução, como o Brasil. O pior de tudo é o tédio, a pior coisa que pode acontecer a um artista é repetir-se, por isso pego o tradicional, a MPB, a bossa nova e até o samba e depois passo por um processo de elaboração onde o rock e o pop têm muita importância, onde também incluo as técnicas de canto da época que estudava ópera; e daí saem minhas músicas, minha maneira de cantar, minha forma de me comportar no palco, que no Brasil dizem que é muito nova-iorquina. Não faço esforço para ser assim. Minha música sou eu mesma.

P - Você teria alcançado o mesmo sucesso na Europa e nos Estados Unidos se não fosse pelo grande reconhecimento mundial da música brasileira?

MM - É claro que não; há os pioneiros, a quem homenageio mas sempre de olho no futuro, sem os quais meu sucesso teria sido impossível. Falo de Maria Bethânia, de Elis Regina, de Gilberto Gil, de Chico Buarque, de Vinícius de Moraes... Eles fizeram sucesso fora do Brasil justamente porque foram inovadores, porque também investigaram em outras músicas. Sim, eles têm sido meus guias e continuarão sendo. Eu diria mais, acho que minha própria evolução musical é, além de uma homenagem a todos eles, uma continuação de sua tarefa de busca e resgate do que há de melhor na cultura popular do Brasil.

P - De onde você tira tempo para compor, para suas turnês internacionais e agora para produzir trabalhos de outros artistas?

MM - Acho que do meu compromisso com meu país e com o melhor da sua cultura. O trabalho de produzir discos de outros artistas é tão ou até mais difícil que o de compor, cantar e gravar, mas tenho muita satisfação em ver como esses discos produzidos por mim servem para lançar na Europa e no resto da América outros músicos brasileiros nos quais ninguém havia reparado antes. Me sinto tão feliz quando são aplaudidos como quando as palmas são para mim.

P - Você sabe que na Espanha seu disco também está a ponto de bater recordes de venda?

MM - Me disseram e fiquei muito feliz. Na próxima turnê por aqui trarei novas surpresas.

P - Você se apresentará com Carlinhos Brown?

MM - Ainda não sei, pode ser. Com Brown no palco me sinto muito bem. É um dos melhores músicos do mundo e uma pessoa encantadora.

(Entrevista original em espanhol)

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