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Eco
e Narciso
Certa
vez havia um jovem chamado Narciso, tão belo
que muitas virgens donzelas e jovens homens
apaixonaram-se por ele. Mas Narciso em nada
se envolveria com os comuns. Ele acreditava
estar acima de todos os outros e os rejeitava
cruelmente.
Um jovem, tendo sido tão maltratado, pediu à
Deusa da Vingança, Nemesis, que Narciso conhecesse
a dor do amor não correspondido. Nemesis acolheu
o pedido e aprovou, e então ficou decidido que
Narciso conheceria a dor que causava aos outros.
Enquanto isso, o Deus Júpiter passava o dia
a deleitar-se com as Ninfas. Certa vez, quando
julgou estar sua esposa, Juno, aproximando-se,
enviou uma das Ninfas, Eco, para cruzar o caminho
de sua esposa a falar-lhe até que Júpiter tivesse
tempo de escapar, de forma que ele não foi pego.
Mas Juno percebeu o que havia acontecido e ficou
furiosa. Ela jurou que Eco não mais falaria
distraindo-a novamente, e tirou a fala da Ninfa,
de maneira que ela apenas repetiria as últimas
palavras ditas por alguém.
Um dia, Narciso estava caçando com seus amigos
e acabou por separar-se deles. Ele desviou-se
para uma clareira onde havia um cintilante lago.
Eco encontrava-se sentada próxima ao lago e
o avistou, apaixonou-se imediatamente. Narciso
então gritou para a clareira, "Há mais alguém
aqui?" e Eco respondeu, "Aqui!". "Vamos nos
conhecer!", replicou Narciso. Eco alegremente
respondeu, "Vamos nos conhecer!", e em seguida
correu em direção a Narciso. Mas quando ela
tentou abraçá-lo, ele recuou com repugnância
e disse-lhe numa linguagem áspera que nada queria
com ela. Entristecida, Eco fugiu para uma caverna
onde desejou Narciso até a exaustão, quando,
já exaurida, apenas sua voz remanesceu.
Afrodite, já alertada por Nemesis, indignou-se
com o desdém de Narciso para com o amor da Ninfa
e decidiu puni-lo. Assim, quando Narciso foi
novamente ao lago para refrescar-se, debruçou-se
sobre as águas resplandecentes e viu um belo
jovem sob ele. Ele nunca houvera visto seu próprio
reflexo, e não fazia idéia que aquele jovem
era ele mesmo. Apaixonou-se imediatamente pelo
rapaz do lago e pensou ser recíproco o seu sentimento.
Assim que ele sorriu, o rapaz também sorriu
para ele. Quando ele tentou alcançar o jovem,
os braços refletidos estenderam-se em sua direção.
Mas quando tentou toca-los, as águas ondularam-se
e a imagem desapareceu. Ele chorou e lamentou
até perceber que se apaixonara por seu próprio
reflexo. Mas já era tarde. Ele estava tão profundamente
apaixonado que tudo o que podia fazer era ficar
onde estava olhado para si mesmo até o esgotamento.
Exausto, Narciso caiu no lago. Quando ele morreu,
muitos ficaram de luto, ninguém tanto
quanto Eco, que, agora sendo apenas uma voz
na caverna, calorosamente repetia as lamentações
dos outros. Quando ele finalmente sucumbiu,
nada remaneceu, apenas uma linda flor branca
e ouro.
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