Preservando as tradições culturais
Modelos que se destacam, de companhias folclóricas profissionais incluem a DanceBrazil, de Nova York, dirigida por Jelon Viera. O principal expoente neste país da capoeira, a forma de artes marciais/dança que se originou no Brasil no tempo da escravidão, a DanceBrazil tem como objetivo uma fusão do tradicional e do moderno. Recentemente, a DanceBrazil passou uma longa temporada em San Antonio (Texas) onde fez um trabalho com os membros das gangues dos bairros mais pobres da cidade. Comemorando o seu 25.º aniversário este ano, a Caribbean Dance Company, de St.Croix, Ilhas Virgens, também procura preservar a herança cultural da região, enquanto usa a disciplina inerente à dança para oferecer habilidades e esperança aos empobrecidos jovens da ilha.
Um forte movimento em defesa da herança cultural africana que tem-se firmado no decorrer dos últimos trinta anos foi também auxiliado pelo estabelecimento do DanceAfrica, um festival criado há vinte anos de apresentações e oficinas em oito locais nos Estados Unidos, que reúne companhias cujo trabalho celebra as raízes africanas na diáspora.
Outro tipo de enriquecimento cultural está sendo trazido aos Estados Unidos pelas populações imigrantes mais recentes, que procuram refúgio, e que resultou na preservação de formas de dança ameaçadas pelos eventos políticos contemporâneos. Um dos principais exemplos é a dança cambojana clássica, uma tradição de mil anos que, por ser um poderoso símbolo da identidade nacional, teve sua eliminação determinada pelo Khmer Vermelho. Alguns sobreviventes dos "campos da morte" conseguiram chegar aos Estados Unidos, onde fizeram um esforço sistemático para estabelecer um lar no exílio para a dança cambojana. Grupos como Sam Ang Sam's Cambodian Network Council, em Washington, D.C., têm mantido essa forma de arte viva, treinando uma nova geração para apresentá-la. Um esforço similar está, no momento, sendo conduzido para preservar as tradições de apresentação da antiga Iugoslávia. Sediado em Granville, Ohio, o Zivili Kolo Ensemble, um grupo especializado em dança dos Bálcãs está, atualmente,concentrando as suas energias em danças das áreas que estão mudando suas fronteiras e populações, especialmente as regiões de Slavonija, Vojvodina, o corredor de Posavina, e Lika.
Outra tendência na profissionalização das formas de dança está ocorrendo na transferência de estilos de rua, de salão e de clube para o palco. Embora o "break" como fenômeno de rua agora já tenha mais de vinte anos de idade, só recentemente ele começou a aparecer em locais para concertos. É inevitável, também, nesta era de amostragem cultural, que o "break" fosse assimilado pelo vocabulário de outras formas de dança. O hip-hop exerce uma forte influência na forma atualmente assumida pelo bhangra, um exemplo de um fenômeno de dança particularmente americano que é, ao mesmo tempo, uma coisa de raízes globais. Originalmente apresentado pelos fazendeiros do Punjab, o bhangra surgiu como uma fascinante nova força nos campi universitários dos Estados Unidos. Uma recente competição universitária em âmbito nacional de bhangra encheu um auditório de 3.700 lugares em Washington, D.C.
Embora a incrível variedade e fecundidade da dança americana só possam ser descritas superficialmente aqui, fica claro que - apesar da falta de fundos, tanto no setor público quanto no setor privado - - essa forma de arte continua a refletir a cultura americana de uma forma vibrante, vital, e com consciência social. Bem depois do início do novo século, espera-se que a dança continue a ser um espelho das nossas mais profundas preocupações, nossas esperanças mais amorosas, nossos sonhos mais simplórios, nosso idealismo mais sonhador, e em ultima análise, nossas verdadeiras indentidades. Como Martha Graham carinhosamente citando seu pai: "O movimento nunca mente."
Suzanne Carbonneau já escreveu muitas matérias sobre dança para The Washington Post e outras publicações.
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