O CANDOMBLÉ DE CARYBÉ

"...Carybé e ninguém mais pode preservar os valores da religião da Bahia".

Adotando a natureza típica da terra, o pintor integrou-se suavemente ao candomblé, a religião dos negros iorubás, fazendo-se filho de Oxóssi e presidente do Conselho dos Obás no terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, da Mãe Stella.

Acima de tudo, no entanto, tinha o título de Obá de Xangô, o posto mais alto dado pelo candomblé, seu maior orgulho. "Sou amoroso e devoto da religiosidade afro-brasileira, de seus deuses modestos e humanos, que hoje se defrontam com estes deuses contemporâneos, terríveis e vorazes, que são a tecnologia e a ciência", dizia.

Segundo o amigo, o escritor Jorge Amado, Carybé foi como um observador de dentro, envolvido com a religião, que ele se dispôs a retratar. "Outros podem reunir dados frios e secos, violentar o segredo com as máquinas fotográficas e, com os gravadores e fazer em torno dele maior ou menor sensasionalismo, a serviço dos racismos diversos, mas apenas Carybé e ninguém mais poderia preservar os valores da religião da Bahia".

Nancy, sua esposa durante 50 anos, costumava contar que o marido era um homem de tanta fé que jamais levava papel ou lápis para as cerimônias.

Achava falta de respeito. Guardava tudo de cabeça e desenvolveu uma memória visual fora do comum.