HISTÓRIA DO CARNAVAL |
No
Brasil, o Carnaval é uma festa de âmbito nacional, adquirindo características distintas
em cada região. O início dos festejos foi o Entrudo, introduzido no Brasil pelos
navegadores portugueses. O festim originário da Índia consistia em uma " guerra
" de excrementos, talco e ovos jogados do alto das casas ou nas praças. Outra
brincadeira dos farristas era agarrar um desafortunado qualquer, tirar suas roupas, dar um
banho frio e devolvê - lo à rua. Assim eram os festejos na Bahia e no Rio de Janeiro, em
fevereiro do século XVI.
Entre 1870 e 1890 o Entrudo vem sendo lentamente substituído pelo Carnaval : bailes em clubes e desfiles nas ruas, sendo as fantasias inspiradas em modelos europeus e os próprios festejos importados da Itália. Surgiram os Fantoches de Euterpe, a Cruz Vermelha e Os Inocentes em Progresso. Os negros e mestiços vão sendo " afastados " da festa, tornando - se meros espectadores dos desfiles e realizando clandestinamente suas batucadas. Na década de 90, foram formados clubes " de negros " : Embaixada Africana, Congada Africana e Pândegos da Àfrica. O Carnaval prosseguia deixando aflorar o bom - humor e a espontaneidade do povo baiano, que se utilizava da festa para satirizar os políticos com máscaras e marchinhas irreverentes e brincar com a imaginação alheia se travestindo de noiva ou freira. Nos anos 30 e 40 o brilho da festa foi esmorecido pelos acontecimentos mundiais refletidos no Brasil : guerras e ditadura. Um fato marcante no Carnaval baiano foi a passagem do grupo pernambucano de frevos " Vassourinhas do Recife " pela Bahia. A recepção aos pernambucanos e ao ritmo contagiante do frevo foi tão positiva que deu o impulso inicial para Dodô e Osmar ( Adolfo Nascimento e Osmar Macedo ) desenvolverem o trio elétrico, o " trio " que deu um novo tom ao Carnaval da Bahia. Em 1950 Dodô e Osmar saíram às ruas num caminhãozinho equipado com alguns poucos alto - falantes, fascinando o povo baiano. A iniciativa de montar um trio elétrico passou a ser incentivada pelo governo e apoiada pelos empresários e comerciantes. O Carnaval se consagra como festa " da mistura " : de cor, de sexo, de classes sociais, de idade, todos seguiam encantados o ritmo dos frevos e dobrados vindo dos trios elétricos. A consagração de Caetano Veloso presenteia o Carnaval da Bahia com um novo hino " Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu ..." Os ares de descompromisso e liberdade da juventude baiana dos anos 60 / 70 contagiam a democrática festa e a Praça Castro Alves é invadida pela folia. As cores e o ritmo negro dos afros e afoxés retomam seu espaço na década de 80 : Olodum, Araketu, Ilê - Ayê e muitos outros mostram a efervescência cultural resultante de um povo miscigenado. Luís Caldas e Paulinho Camafeu iniciam uma fusão promissora : o deboche, mistura das danças africanas com o reggae jamaicano. Essa fusão resultaria na axé - music : Chiclete com Banana, Banda Eva, Cheiro de Amor, Netinho.... Multiplicam - se os blocos de trio seguindo o exemplo dos pioneiros : " Os Internacionais ", " Camaleão " e " Tras a Massa ". O Carnaval dos anos 80 / 90 já não é mais tão democrático : cordas de blocos tiram o espaço dos " pipocas " ( foliões sem bloco ). Mesmo assim o Carnaval não perde a originalidade, vide a " Mudança do Garcia ", " As Muquiranas ", os trios independentes... |
| A história do carnaval
continua sendo escrita por cada gota de suor e cerveja derramada por um povo alegre que
apesar das dificuldades faz do Carnaval uma festa bonita e inexplicável. Tem que ver pra
saber...
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