ROCK´N ROLL
(Marcelo Nova/Raul Seixas)
Há muito tempo atrás na velha Bahia
Eu imitava Little Richard e me contorcia
As pessoas se afastavam pensando
Que eu estava tendo um ataque de epilepsia
No teatro Vila Velha, velho conceito de moral
Bosta nova pra universitário, gente fina, intelectual
Oxalá, oxum dendê oxossi de não
Sei o quê
refrão
Oh rock´n roll, yes, yes, yes, that´s rock´n roll
A carruagem foi andando e uma década depois
Nego dizia que indecência era o mesmo feijão com arroz
Eu não podia aparecer na televisão
Pois minha banda era nome de palavrão
Lá dentro do camarim no maior abafamento
A mulherada se chegando
Altos pratos suculentos
E do meu lado um hippie punk
me chamando de traidor do movimento
refrão
Alguns dizem que ele é chato, outros dizem que é banal
Já o colocam em propaganda
Fundo de comercial
Mas o bicho ainda entorta a minha coluna cervical
Já dizia o eclesiastes
Há dois mil anos atrás
Debaixo do sol não há nada novo
Não seja bobo meu rapaz
mas nunca vi Beethoven fazer aquilo que Chuck Berry faz
Roll over Beethoven, roll over Beethoven
Roll over Beethoven tell Tchaikovsky the news
E pra terminar com este papo eu só queria dizer
Que não importa o sotaque
E sim o jeito de fazer
Pois há muito percebi que Genival Lacerda
Tem haver com Elvis e com Jerry Lee
por aí os sinos dobram, isso não é tão ruim
Pois se são sinos da morte ainda não bateram para mim
E até chegar a minha hora
Eu vou com ele até o fim
refrão
CARPINTEIRO DO UNIVERSO
(Raul Seixas/Marcelo Nova)
Carpinteiro do universo inteiro eu sou
Carpinteiro do universo inteiro eu sou
Não sei porque nasci pra querer ajudar
A querer consertar o que não pode ser
Não sei pois nasci para isso e aquilo
E o enguiço de tanto querer
Carpinteiro do universo inteiro eu sou
Carpinteiro do universo inteiro eu sou
Estou sempre pensando em aparar o cabelo de alguém
E sempre tentando mudar a direção do trem
À noite a luz do meu quarto eu não quero apagar
Pra que você não tropece na escada quando chegar
Carpinteiro do universo inteiro eu sou
Carpinteiro do universo inteiro eu sou
Meu egoísmo é tão egoísta
Que o auge do meu egoísmo é querer ajudar
Carpinteiro do universo inteiro eu sou
Carpinteiro do universo inteiro eu sou
Carpinteiro do universo inteiro eu sou assim
No final carpinteiro de mim
QUANDO EU MORRI
(Marcelo Nova)
Quando eu morri em dezembro de 1972
espera ressuscitar e juntar os pedaços da minha cabeça um tempo depois
Um psiquiatra disse que eu forçasse a barra
E me esforçasse pra voltar a vida
E eu parei de tomar ácido lisérgico e fiquei quieto
lambendo a minha própria ferida
Sem saber se era crime ou castigo e se havia outro
Cordão no meu umbigo pra de novo arrebentar
Pois eu fui puxado a ferro, Arrancado do útero materno
E apanhei pra poder chorar
Quando eu morri suando frio vi Jimi Hendrix
Tocando nuvens distorcidas eu nem consegui falar
E depois por um momento o céu virou um fragmento
Do inferno em que eu tive de entrar
Eu sentia tanto medo só queria dormir cedo
pra noite passar de pressa e não poder me agarrar
Noites de garrar de aço me cortavam em mil pedaços
E no outro dia eu tinha de me remendar
E se a vida pede a morte talvez seja muita
Sorte eu ainda estar aqui. E a cada beijo
Do desejo eu me entorpeço e me esqueço
De tudo que eu ainda não entendi
PASTOR JOÃO E A IGREJA INVISÍVEL
(Raul Seixas/ Marcelo Nova)
Não sei se o céu ou o inferno
qual dos dois você vai ter que encarar
mas foi pra não lhe deixar no horror
Que eu vim para lhe acalmar
Se o pecado anda sempre ao seu lado
E o demônio vive a lhe tentar
Chegou a luz no fim do seu túnel, minha filha
O meu cajado vai lhe purificar
Pois eu transformo água em vinho
Chão em céu, pau em pedra, cuspe em mel
Pra mim não existe impossível
Pastor João e a igreja invisível
Par os pobres e os desesperados
E todas as almas sem lar
Vendo barato a minha nova água benta
Três prestações qualquer um pode pagar
O sucesso da minha existência
Está ligado ao exercício da fé
Pois se ela remove montanhas
Também trás grana e monte de mulher
Pois eu transformo água em vinho
Chão em céu, pau em pedra, cuspe em mel
Pra mim não existe impossível
Pastor João e a igreja invisível
Eu Não Matei Joana D’Arc
(Marcelo Nova/Gustavo Mullem)
Eu nunca tive nada com Joana D’arc
Nós só nos encontramos pra passear no parque
Ela me falou dos seus dias de glória
E do que não está escrito lá nos livros de história
Que ficava excitada quando pegava na lança
E do beijo que deu na Rainha da França
Agora todos pensam que fui que a cremei
Mas eu não sou piromaníaco, eu juro que não sei
Ontem eu nem a vi, sei que não tenho um álibi
Mas eu não matei Joana D’arc
Eu nunca tive nada com Joana D’arc
Nós só nos encontramos pra passear no parque
Ela me falou que andava ouvindo vozes
E que pra conseguir dormir sempre tomava algumas doses
Uma rede internacional iludiu aquela menina
Prometendo a todo custo transformá-la em heroína
Agora estou entregue a mim mesmo e a vocês
Todos querem que eu confesse mas eu nem sei o quê
Ontem eu nem a vi, sei que não tenho um álibi
Mas eu não matei Joana D’arc
Não fui eu, não fui eu que matei Joana D’arc
Não fui eu, não fui eu quem matou Joana D’arc
SÓ O FIM
(Marcelo Nova/Karl Hummel/Gustavo Mullen)
Se o chão abriu sobre os seu pés
E a segurança sumiu da faixa
Se as peças estão todas soltas
E nada mais encaixa
Oh, crianças isso é só o fim
Algo que você não identifica
Insiste em lhe atormentar
Você implora por proteção
Não sabe como vai acabar
Oh, crianças isso é só o fim
Esse calor insuportável não abranda o frio da alma
A vida já não é tão segura e nada mais lhe acalma
Oh, crianças isso é só o fim
Sempre acorda angustiado e apressado você vai pra rua
Mas mesmo assim acordado o pesadelo continua
Oh, crianças isso é só o fim
Oh, senhoras isso é só o fim
Oh, senhores isso é só o fim