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Festa todo dia - Atualmente, as festas cachoeiranas se constituem na principal riqueza histórica do Recôncavo. Além de operar como demonstrações de fé religiosa, elas contribuem para o melhor esclarecimento do temperamento da sua população, que tem em todos os eventos sócio-culturais da cidade, participação definitiva na realização dos mesmos. Eis algumas manifestações importantes e um pouco de suas histórias. FESTA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO A festa de Nossa Senhora do Rosário, padroeira do município ocorre numa data móvel da segunda quinzena de outubro. O culto à santa é antigo e sua freguesia foi criada pelo Arcebispo Dom João Franco d'Oliveira, no ano de 1696, sendo que a igreja data de 1693-1754. Esta festa, entretanto, não é a comemoração de maior prestígio entre os cachoeiranos, tratando-se de uma manifestação de caráter puramente religioso. A comissão organizadora é previamente escolhida para sua preparação, havendo um mordomo responsável por cada noite de novena. Cada noite é dedicada a um grupo da comunidade, a exemplo dos secundaristas, comerciantes, professores, etc. No domingo da festa, a população é despertada por uma alvorada de sinos e de fogos, sendo que às 10:30 horas celebra-se a missa solene na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário da Cachoeira. No mesmo templo, às 16:00 horas sai a procissão com os andores da santa padroeira, São José e Deus Menino, acompanhados das duas bandas locais, a Lira Ceciliana e a Minerva Cachoeirana. O evento não consta de lavagem da Igreja nem de festa de largo. CICLO DA QUARESMA Na sexta feira que antecede a Semana Santa, às 17:00 horas, ocorre a "Procissão do Encontro", com os andores de Nossa Senhora das Dores e Senhor dos Passos, partindo da Igreja da Ordem 3ª do Carmo, responsável pelos atos litúrgicos desta programação, percorrendo o centro da cidade por caminhos diferentes e se encontrando em frente ao Ginásio Santíssimo Sacramento, onde se efetua o "Sermão do Encontro". Logo após, os andores retornam ao ponto de partida. No Domingo de Ramos, a Igreja é palco de uma missa, seguida da Procissão de Ramos, em redor do templo. Na Sexta-Feira Santa realiza-se a Procissão do Senhor Morto, cujo andor parte da Igreja da Ordem Terceira do Carmo, acompanhada das imagens de Nossa senhora das Dores e de São João Evangelista. Duas jovens representam Verônica e Madalena, que também participam do cortejo. Já no sábado de Aleluia, em diversos bairros realiza-se a "Queima de Judas", destacando-se o bairro do Caquende. Neste mesmo dia sai a "Procissão da Ressurreição", ao fim dos Atos da Vigília Pascal. O andor de Cristo Ressuscitado sai da igreja da Ordem Terceira e segue pela rua da Matriz, sendo conduzido pelos fiéis até o centro da cidade. seu regresso é marcado pela Bênção do Santíssimo Sacramento. FESTA DO DIVINO A festa do Divino Espiríto Santo, em Cachoeira, data do século XVIII, sendo uma tradição de origem portuguesa. O Imperador da festa costuma ser uma criança na faixa etária de 8 à 12 anos. Uma missa solene é celebrada na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, a qual é seguida do desfile do Imperador com a sua corte pelas ruas da cidade. A bandeira do Espiríto Santo é conduzida no cortejo pelos fiéis. No passado, o Imperador se dirigia à Delegacia de Polícia, onde um dos presos era posto em liberdade e, finalizando o ato simbólico, ele lançava a Bandeira do Divino sobre a cabeça do ex-condenado. CORPUS CHRIST Em função da Quaresma, a sua data é móvel. O cortejo costuma ser paraninfado pela Câmara Municipal. O evento é iniciado com uma missa solene celebrada na Igreja do Rosário, seguido de procissão. O andor da Custódia é conduzido pelas autoridades locais. FESTA DE SÃO JOÃO Não se sabe ao certo as origens do São João. Em Cachoeira, contudo, os pesquisadores afirmam que os festejos juninos datam do século XVIII. Antecedida pela Feira do Porto, quando os agricultores do recôncavo se reuniam num maior centro comercial da região, à época, para vender produtos juninos, na noite de 22 de junho. O porquê da realização da feira `a noite é atribuido à chegada de saveiros, na tarde daquele dia, os quais, outrora traziam os fregueses para as referidas compras. O quadro foi se modificando e a Feira do Porto deixou de ter a importância de antigamente. Os festejos religiosos eram efetuados na Igreja do Carmo. Centenas de casas eram ornamentadas e abriam suas portas para as rezas, servindo licores, canjica, pamonha e outras iguarias. Também se organizavam quadrilhas ( de origem francesa). Com o decorrer dos anos estas manifestações foram se diluindo e tomando uma forma mais simples sem, entretanto, perder seus atrativos básicos. A partir de 1971 o São João passou a receber o apoio logístico do governo do estado, através da Bahiatursa e da Assessoria de Turismo da prefeitura Municipal, resultando em profundas modoficações, entre as quais, a criação do concurso de fogueiras, quadrilhas, de samba-de-roda, etc., além de intoduzir a apresentação de conjuntos de música caipira e de bandas locais. Histórico da Festa A festa de São João, de origem marcadamente portuguesa, tem suas manifestações inerentes à vida rural, fato que explica o seu declínio nos grandes centros urbanos. Fogos, fogueiras, balões, costumes que na cidade são proibidos, mas que sobrevivem no interior juntamente com os outros elementos que fazem do São João uma festa de grande participação popular. E Cachoeira, destaca-se, neste contexto, por sua grande repercussão cultural em toda região do recôncavo. Depois da Feira do Porto, que abre oficialmente o evento, consta dos festejos o Tríduo Junino, com rezas no altar armado no centro da Praça - misto de festa popular e religiosa -, com ladainhas cantadas com acompanhamento dos músicos da região. Durante os festejos, há muita queima de fogos, apresentação de quadrilhas, casamento na roça, quebra-pote, pau-de-sebo. Pelo espaço ocupado, da Praça ao longo do cais, o local toma aspecto de arraial, com seus forrós, cantadores, repentistas, bandas filarmônicas, banda de pífanos e barracas de comidas e bebidas típicas. FESTA DA INDEPENDÊNCIA O dia 25 de junho é a data Magna da cidade. Os festejos se iniciam no dia 24, à noite, com o cortejo do Caboclo, acompanhado das duas filarmônicas, saindo do bairro do Caquende para se encontrar com a Cabocla que vem do Município de São Félix, na Praça Manoel Vitorino. No dia 25 de junho, pela manhã, celebra-se um Te-Deum, na Igreja Matriz, à tarde, há uma sessão solene na Câmara Municipal, ao tempo em que os estudantes e as bandas de música se reunem na Praça da Aclamação. Terminada a sessão, os políticos, autoridaes locais e convidados rumam para a Praça da Aclamação onde o Hino de Cachoeira é entoado, seguido de desfile cívico em direção `a Ponta da Calçada, local de encontro dos carros dos caclocos, que são incluídos no cortejo, que retorna à Praça da Aclamação e à Praça dos Arcos, respectivamente, para uma homenagem à Estátua da Liberdade, coroada solenemente pelos participantes. O evento é sequenciado com as execuções dos hinos nacional, estadual e municipal encerrando o desfile cívico. No dia 26 de junho, ocorre a apresentação das bandas Minerva Cachoeirana e Lira Ceciliana. Já no dia 27, as bandas acompanham o cortejo da cabocla, que regressa à São Félix, finalizando as comemorações. FESTA DA BOA MORTE A Festa de Nossa Senhora da Boa Morte realiza-se todo ano durante a primeira quinzena do mês de agosto. Celebrada desde os primórdios do movimento abolicionista, a festa preserva ainda hoje seus traços característicos, individualizados, marcados pelo sofrimento de um povo que lutou para alcançar a sua liberdade. E é exatamente este o significado da celebração, o agradecimento a Nossa Senhora , pela liberdade conseguida a duras penas, com a realização de várias cerimônias, culminando com a assunção de Nossa Senhora. A Irmandade da Boa Morte - uma sociedade exclusivamente feminina, formada por mulheres geralmente de meia-idade e descendentes de escravos - encarrega-se de todo o necessário para fazer a festa acontecer. As irmãs se dedicam de corpo e alma à devoção de Nossa Senhora e têm a realização da festa como um dever, uma obrigação que deve ser cumprida a cada ano, para pagar a pronessa feita pelos seus ancestrais. As cerimônias se revestem de extraordinária riqueza, desde os trajes especiais e jóias que as mulheres usam a cada dia, até as ceias oferecidas na casa da irmandade e o samba-de-roda, que caracteriza a parte profana da festa. Pagar pela liberdade Os registros históricos não precisam a data inicial da festa. Originalmente, sabe-se da existência da devoção em várias igrejas e conventos de Salvador, que celebravam a "procissão do Enterro de Nossa Senhora" ou "procissão de Nossa Senhora da Boa Morte", hábitos herdados de Portugal. No livro Bahia imagens da terra e do povo, o escritor Odorico tavares registra o início do culto, na Igreja da Barroquinha, por volta de 1820, e desaparecendo com o progresso. "Foram os jejes, se deslocando da capital para o interior, que levaram a devoção para Cachoeira", explica o autor. Na verdade, a festa de Nossa Senhora da Boa Morte, em Cachoeira, é uma manifestação sincrética do culto afro com o catolocismo. São as irmãs que explicam a necessidade (ou imposição) de se mostrar a devoção através dos rituais da Igreja Católica: "Porque elas eram escravas e não eram brasileiras. Então, naquela parte da África, elas não falavam como nós. De tudo isso, elas fizeram uma promessa para quando viesse a liberdade celebrariam a festa. A promessa foi feita antes da abolição (fim da escravatura(, porque elas já esperavam, mas pediam a Deus que chegasse logo aquele dia. Quando alcançassem a liberdade, a festa então explodiria em agradecimento. A festa não começou antes da abolição, pelo menos em Cachoeira. Diz o povo que nesse período - cerca de 68 anos entre a organização da Irmandade, por volta de 1820, e a decretação da Lei Aúrea, em 1888 - as escravas faziam um ritual secreto e não existia a parte católica. "Faziam a novena delas, faziam o samba-de-roda ( dança folclórica onde se forma uma roda de mulheres e ao som de palmas, se dança) até que pudessem alcançar a liberdade e celebrar a missa católica. FESTA DE SÃO COSME E SÃO DAMIÃO Esta é uma festa tradicional de Cachoeira, estando ligada ao seu sincretismo afro-brasileiro, sendo realizada em templos distintos: Capela de Nossa Senhora dos Remédios e na de São Cosme e São Damião. Nesta última, situada no bairro do Cucuí, pertence a Igreja Católica Apostólica Brasileira. As comemorações são iniciadas com tríduo e, no dia 27 de setembro, uma missa solene é celebrada às 10:00 horas. À tarde, sai deste templo a procissão com os andores de São Cosme e São Damião e do Sagrado Coração de Jesus, acompanahada de uma das bandas locais ( Minerva Cachoirana ou Lira Ceciliana). No bairro do Cucuí, em diversas residências é servido o tradicional caruru, uma das características dos festejos em louvor aos santos gêmeos. Na capela de São Cosme e São Damião a festa se realiza há 15 anos, sendo organizada pelo Bispo Dom Roque Cardoso Nonato. As comemorações contam ainda com apresentações de afoxé, samba-de-roda e trança-fita. FESTA D'AJUDA É vaga a origem da devoção de Nossa Senhora D'Ajuda, na região. Contudo a sua igreja foi edificada pelo capitão Álvares Dias Adorno, no período de 1595-1606, sendo o primeiro templo reigido naquela povoação. Os festejos se realizam em data móvel, no mês de novembro, preferncialmente na primeira quinzena. Duas semanas antes do domingo da festa, faz-se o desfile do bando anunciador que sai às ruas distribuindo a programação da festa. Os membros do bando desfilam em carroças, caminhões e bicicletas, fantasiados e acompanhados das duas bandas locais. No sábado que acontece à lavagem, a população é despertada com exibições do Terno do Silêncio que produz um barulho ensurdecedor. No domingo à tarde, faz-se o cortejo das baianas e, em seguida, realiza-se a lavagem do adro da igreja de Nossa Senhora D'Ajuda. na terça-feira, após a lavagem, a população participa da lavagem da lenha, ato simbólico, relembrando os tempos em que não havia luz elétrica. Já na quinta-feira, dá-se a lavagem das crianças, que também ocorre de maneira simbólica, pois as crianças apenas acompanham o cortejo. Com rezas e outras manifestações religiosas, os tríduos são sequenciados até sabádo à noite. A festa encerra-se no domingo, com alvorada de fogos, às 5:00 horas, seguida de missa. À tarde, uma grande procissão percorre as ruas centrais da cidade. Enquanto isso, os festejos no largo D'Ajuda são animados com atrações da cultura local. QUEIMA DE JUDAS Esta manifestação ocorre no Sábado de Aleluia, e durante a festa D'Ajuda, em novembro. Dos seus folguedos constam: Terno da Bola - meninas vestidas em trajes esportivos formam duas filas para buincar com uma bola - ; Terno das Cozinheiras, composto de apresentações de músicas tradicionais e personificações de mestre cuca e cozinheira; Terno dos Mandus, com seus personagens utilizando-se de peneiras na cabeça, na qual se prende uma saia com uma barra amarrada na cintura, e ainda um paletó fechado, em cujas mangas são enfiados pedaços de madeira. |
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