Não poderíamos deixar de falar sobre o mais lamentável engano que o mundo da música cometeu nestes últimos tempos. Nossa proposta não é analisar o conteúdo (ou a falta de conteúdo) das canções, nem a maldosa influência que exercem sobre as crianças . Deixemos esta tarefa mais delicada para os acadêmicos de plantão, que têm mais tempo para uma crítica detalhada deste produto. Contudo, precisamos falar da poluição sonora e visual a que fomos submetidos quando do surgimento desta proposta sonora intolerável.

Definitivamente, é muito triste ter de conviver com a imbecilidade cultural que nosso país exporta com orgulho para o exterior. Multiplicam-se as receitas prontas de melodia e as coreografias são as mesmas. Não adianta querer levar para o Havaí ou para o Japão. A coisa é difícil de se suportar em qualquer canto do mundo. Podem até tentar substituir os nomes, mas a cor dos cabelos continua a mesma. "Mainhas", "neguinhas" e outras "inhas" já estão cansadas (e cansando nossa paciência !!) de tanto subir e descer.

Se procurarmos algum uso para axé music (pena que não foi possível escrachar todo mundo...), teremos a perda de calorias como única resposta. Muito suor, sexualidade e pouca massa cerebral. Talvez esta seja a melhor fórmula para se definir a estratégia tchaniana de conquista do seu público cativo. De qualquer forma, talvez agora, na selva, o grupo se sinta em casa, revelando sua essência ao lado dos seus parceiros de primitividade. Deus queira que a coisa pare por lá mesmo...

       
Fonte: Revista Raça



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