Fonte: Revista Caras

Miguel Falabella andou ameaçando não dar mais entrevistas para a imprensa. Desde já, torcendo para que tal promessa se concretize, estamos imensamente aliviados. Sentimento de alívio impossível de superar a gigantesca megalomania e o narcisismo do ator.

O que significará não termos mais entrevistas com Miguelito (o apelido bem latino vai deixá-lo furioso)? Estaremos livres dos queixumes de uma criatura que, apesar da cansativa onipresença em televisão, teatro e cinema, reclama de falta de espaço. Além disto, não estaremos mais expostos a auto-declarações de genialidade (uma óbvia confusão entre volume de produção e qualidade).

Miga tem o maior ressentimento com a providência divina por ter nascido brasileiro. Ele diz ter a consciência de estar no fim do mundo desde os tempos em que era amamentado por sua mammy. Esta precoce percepção do país auxilia, provavelmente, na construção da personagem Caco Antibes, um poço de preconceitos tão naturalmente encarnado pelo ator (qualquer semelhança é mera coincidência?).

Não seria ótimo se Caco/Falabella fosse um louro nórdico tão distante geograficamente de nós? A distância faria bem a nossa cultura, que anda congestionada de figurinhas oxigenadas, ostentando sua lourice "fake" como um troféu.




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