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O acarajé está ligado às origens da cultura negra da Bahia. É comida dos
orixás, os deuses do candomblé. Para Xangô, rei africano, Alafin de Oyó,
são oferecidos os acarajés maiores e alongados. Para sua mulher Iansã,
Oiá, rainha valente, meio fêmea, meio macho, são oferecidos os pequenos.
As filhas de Iansã elaboravam o acarajé nos terreiros, colocando-o na
gamela (vasilha de madeira ou de barro), e servindo-o na palha de banana. O
dinheiro arrecadado com a venda era revertido para as obrigações (rituais
de oferenda) do orixá. Dendê, camarão seco e leite de côco são
ingredientes marcantes na culinária baiana. Mas em comida de candomblé,
leite de côco não entra, não faz parte do cardápio dos orixás. Nos
terreiros, não é costume colocar camarão seco moído na massa do
acarajé. É uma evolução culinária, mas que contraria a tradição do
culto afro. Os iniciados dizem que a preparação do acarajé para Iansã é
um dos procedimentos mais sagrados. Acarajé com camarão na massa é
encontrado principalmente em banquetes e recepções familiares. Por causa
do custo maior, e porque exige maior cuidado para a massa não
"desandar", dificilmente é encontrado nos tabuleiros das baianas
Atualmente, a venda do acarajé não é mais apenas uma obrigação do
candomblé e transformou-se numa atividade de subsistência para baianas de
diversas religiões.
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