PALCOS

Sobre Imagens que Revelam

Por João Carlos Sampaio

Causou desconcertante reação a fala do cineasta alemão Werner Herzog quando afirmou que o mundo estava sobrecarregado de imagens, que elas impediam o encontro com a própria essência de realidade, que bloqueavam o sentir das coisas e gentes. Com isso, ele atirou contra toda a mediática função das imagens que, de repente, acaba não sendo quem cria pontes entre o real (ou reais se preferirem) e os seus intérpretes, mas ao revés, aquilo que afasta, que impede de se chegar aonde todo o olhar e desejo se destinam...

Peneirando raciocínios, pode-se também concluir que, sobrando verdade no congestionamento de ruídos visuais citado pelo alemão, sobra também aos homens (e mulheres) de imagem a missão de também "despoluir", oferecendo ao mundo novas imagens, que por si só não sejam apenas enigmas, mas quem sabe... respostas! Neste campo, o das revelações, talvez nenhuma arte de imagem seja tão eficiente quanto a fotografia, que com sua capacidade de eternizar o instante, consegue, por vezes, definir uma imagem pura. Quem sabe até: coisas e sentimentos ou, simplesmente, a verdade dos retratos!

No caso da fotografia de palco é imperativa esta necessidade de fazer retratos, e fazê-los com fidelidade mais aguçada do que a própria realidade possa transmitir. Neste exercício busca-se mostrar aos homens —imortais ou não— a imagem mortal de um mito ou quem quer que tenha sido alçado à condição dionisíaca de pisar num palco e ficar à berlinda e à delícia dos desejos de centenas... milhares de olhares. As fotos de palco de Liz Nunes quebram este encanto, descortinam mitos e mostram... gente! Suas lentes efetivamente "despoluem" e retratam, no sentido mais nobre do termo. Que bom antídoto para outras imagens e mídias e seus jogos de esconder! Cabe-nos apenas ver e sentir o sabor tão raro dos seus instantâneos e quem sabe constatar que Herzog tinha razão... ou não!

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