
Vou falar nesta intervenção de dois assuntos que considero centrais para o equacionamento das perspectivas a adoptar nos estudos da comunicação. Na primeira parte, falarei de algumas consequências que as mudanças actualmente em curso nos domínios científico, técnico e político têm para o ensino e para a pesquisa em comunicação. A segunda parte será dedicada a uma reflexão sobre a natureza interdisciplinar dos estudos de comunicação.
A questão das relacões entre poder politico e sistemas de informação é inquestionável um dos problemas mais debatidos e polêmicos. Antes, essa questão era colocada em torno da apropriação do vídeo não profissional e dos radiotransmissores (referindo-se à comunicação interindividual à curta distancia); hoje, é posta a propósito do estatuto do rádio e televisão, das rádio locais e privadas e, amanhã, o será em torno da telemática (integração da telefonia e informática, com o exemplo do Minitel), a televisão a cabo ou dos usos de satélites de comunicação.
A partir da proposição dos conceitos de inclusividade e penetrabilidade como caracteristicas basicas dos meios de comunicação da reprodutibilidade técnica; e de uma perspectiva sobre o que sejam suas linguagens; o Autor desenvolve uma reflexão a respeito das tentativas de utilizar meios e linguagens no processo educacional (aprendizagen e sistemas disponibilizadores) - observando os problemas diferenciados que se apresentam à organizaçãdo ensino em situações presenciais e em situações mediatizadas ("à distância").
Esse artigo examina o recente processo regulatório da TV à cabo no Brasil e o conteúdo da Lei dele resultante. Considerando tanto aqueles processo e conteúdo como bastante inovativos, o autor destaca, contudo, alguns aspectos polêmicos da nova Lei. Entre estes aspectos figuram a abertura ao capital estrangeiro, a opção tecnológica pela rede única sob controle da Telebrás, e a não fixação de limites ao número de canais dos quais um só operador pode participar.
O processo de globalização na contemporaneidade corresponde a emergência de mútipla e simultâneas relações sociais a imprimirem uma nova dinâmica à sociedade capitalista. O trabalho salienta nesse processo a questão das mediações tecnológicas comunicacionais como inextricável de tal processo, redefinindo, dentre outras a relação tempo/espaço via o tele espaço.
O texto constitui-se numa tentativa de recenseamento das fontes históricas da versão do "radical pragmatism" de Richard Rorty. A partir daí, o autor tenta estabelecer uma observação sobre a propriedade das assunções pragmáticas de Rorty, em correspondência ao modelo lógico do pragmatismo de Ch.S.Peirce (1839/1914), sobretudo no que concerne à correspondência entre o princípio dos "efeitos práticos" e a validação dos procedimentos hipotéticos na ciência. A partir dos recursos à versão de Peirce, o autor solicita um olhar de reserva sobre as coordenações que Rorty pratica entre pragmatismo e relativismo.
Numa perspectiva de aproximação entre História e Cinema, e considerando-se o predomínio da imagem verificado ao longo dos séculos XVII e XVIII, analisa-se alguns aspectos do chamado mundo barroco a partir de imagens criadas pelo pintor italiano Michelangelo Merise, Il Caravaggio. Esse Estudo das imagens de Caravaggio realiza-se através de outras imagens, aquelas criadas pelo cineasta inglês Derek Jarman em sur filme Caravaggio.
A questão da representação cinematográfica em Kieslowski através do filme Não Matarás da série O Decálogo. Esta breve história que constitui a série não ilustra nenhum mandamento bíblico em particular (assim como nenhuma das outras), mas coloca a questão dos limites e do jogo da representação da Lei. Como mostrar, sem um peso didático, o trabalho da Lei? Como traduzir, para além de manifestações espetaculares de transgressão, os conflitos interiores? Que ponto de vista adotar para dar a ver sem tomar parte ou impor ao espectador o olhar de um juiz? Estas são algumas das questões que este artigo aponta e que o cinema de Kieslowski nos força pensar.
O Bom selvagem no Tempo da Robótica
Latour, B. Nous n'avons jamais été modernes (ed bras. Jamais fomos modernos, RJ,
Editora 34, 1994)
Waldomiro José da Silva Filho, MS, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas,
UFBA.