TCCs de 2019.1 trazem mulheres baianas como protagonistas

Publicado em: 26-07-2019

Neste dia da mulher negra latino-americana e caribenha, conheça TCCs da Facom que trazem a participação na cultura de mulheres baianas

O número de mulheres negras baianas impressiona. Dentro dos já expressivos 50% de população feminina na Bahia, 75% declaram-se pretas ou pardas, de acordo com o último censo realizado pelo IBGE. 

Egressas dos cursos de Comunicação da Universidade Federal da Bahia estiveram atentas a esse segmento e dedicaram um número significativo de produções acadêmicas a ele como seus Trabalhos de Conclusão de Curso. No semestre 2019.1, cinco pesquisas foram dedicadas a mulheres baianas, com atenção especial às negras, nos mais diversos formatos, de monografia a revista digital. O que uniu todos esses trabalhos? A produção e a participação dessas mulheres em algum tipo de expressão cultural como a literatura, a música e a dança. 

Rosana Silva, egressa de Jornalismo pela FACOM/UFBA, é autora de um desses trabalhos e abordou em sua pesquisa o desafio de ser uma escritora negra na Bahia. Por meio de um episódio piloto de uma série documental sobre a escritora Rita Santana, Rosana buscou dar visibilidade a essas autoras que, segundo ela, representam uma pluralidade de vozes na literatura baiana e brasileira. “Eu descobri que as escritoras negras baianas, apesar das dificuldades, estão publicando suas produções em coletâneas, individualmente. Elas ainda enfrentam o problema da invisibilidade no campo literário e no mercado editorial no Brasil”, explicou. 

Essa invisibilidade não se restringe à literatura, como constataram Cristiana Fernandes e Gabriela Ferreira, formandas de Jornalismo. Autoras do documentário “Toque feminino: mulheres percussionistas de Salvador”, as jornalistas tiveram como uma das motivaç̣ões para o trabalho levar a narrativa de mulheres negras à universidade. “Queremos que se naturalize, por exemplo, ver uma mulher tocando e que isso não seja tabu. Elas são profissionais, arrisco dizer, até mais que muitos homens. O que falta é espaço”, defendeu Cristiana. 

A produção de Cristiana e Gabriela mostrou a atuação de mulheres na percussão e buscou entender a assimetria de gênero nesses espaços — o que fazia com que a atividade profissional dos homens fosse maior do que a das mulheres? As respostas passaram pela condição social, pela questão racial e de gênero. A questão de gênero também esteve presente no produto de TCC de Victória Lima, a revista digital “Som das Minas”. A publicação tratou das vivências e dificuldades de ser mulher no rap baiano. “O objetivo era expor relatos de mulheres baianas dentro do rap, um gênero musical visto com voz predominantemente masculina”, explicou Victória. 

                    

Revista digital Som das Minas, produzida pela egressa de Jornalismo Victória Lima

Protagonismo

O mesmo protagonismo a que as estudantes buscam dar visibilidade é exercido pelas alunas de Jornalismo e de Produção em Comunicação e Cultura. Dos cinco trabalhos que pautam a atuação de mulheres na cultura baiana, quatro foram desenvolvidos por estudantes que acreditam ser seu papel dar voz e exercer, elas mesmas, o protagonismo. “Somos duas mulheres negras buscando dar essa visibilidade, porque sabemos que estamos ocupando um lugar que é importante”, acredita Cristiana Fernandes.

O mesmo fez Maryrluce dos Santos. A egressa de Jornalismo e autora do documentário “Quem mete dança é ela” entrevistou dançarinas e pesquisadora da área de gênero, com o intuito de entender a atuação de mulheres no pagode baiano. A produtora abordou em seu TCC o estigma sofrido por elas. “Foi importante trazer mulheres para começar a produzir esse conhecimento. Trazer essas mulheres como fontes primárias. Além disso, eu, enquanto mulher, porque não existem pesquisadoras que falem sobre isso”, justificou Maryrluce. 

Cristiana Fernandes e Gabriela Ferreira, egressas do curso de Comunicação com Habilitação em Jornalismo

Conheça alguns dos temas de Trabalho de Conclusão de Curso em 2019.1

Quem mete dança é ela: protagonismo feminino no pagode baiano 

Maryrluce dos Santos Cerqueira  

Orientador - Prof. Dr. Sérgio Sobreira

Acesse aqui o documentário

Veja aqui o memorial do trabalho

Som das Mina: As vivências e dificuldades de ser mulher no rap baiano

Victoria Cerqueira Lima

Orientador - Prof. Dr. Sérgio Sobreira

Acesse aqui a publicação

Veja aqui o memorial do trabalho

Toque feminino: mulheres percussionistas de Salvador  

Cristiana Fernandes de Souza e Gabriela Ferreira de Jesus

Orientador - Prof. Dr. Marcelo Monteiro Costa

Veja aqui o memorial do trabalho

Vozes Mulheres: o desafio das escritoras negras baianas 

Rosana Silva de Jesus

Orientador - Prof. Dr. Marcelo Monteiro Costa

Mulheres da Lagoa: Estudo sobre as articulações comunicacionais das Ganhadeiras de Itapuã a partir da Lagoa do Abaeté 

Thiago Conceição Cruz 

Orientador - Prof. Dr José Roberto Severino

Veja aqui a monografia.

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Homologação das bancas examinadoras pelo Colegiado

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