A Pesquisa e os Meios: como mudar
essa realidade?
É preciso tratar da questão da capacidade de dar
visibilidade às coisas e aos acontecimentos que a mídia tem.
Nas pg. policiais os negros tem tido boa visibilidade social. Ë
preciso observar que isso tem relações históricas fortes e com
a manutenção das condições de vida ao longo do tempo. É
preciso observar a relação entre o real(fato) e sua
repercussão na mídia. Como a mídia poderia modificar o real
nesse caso? Como uma discussão nos meios de comunicação sobre
violência pode modificar atitudes? É preciso reconhecer que a
mídia não é a única responsável por essa situação.
Ultimamente aponta-se a questão do desemprego como a mais
provável responsável. Mas é preciso lembrar que a mídia pode
levantar discussões que pelo menos modifiquem parcialmente
situações, como é a questão.
- O material visual
é o critério-base da pesquisa. O que vai ser
difícil nisso é tratar algumas caras pálidas e
suburbanas por negros. Nesse ponto vai ser necessário
discutir a questão dos "morenos". A teoria do
embranquecimento e da dificuldade em se aceitar negro. A
rejeição individual pode ocorrer, mas na pesquisa
objetivamos dar visibilidade ao corpo social da
população. É preciso definir o que se entende por
negro e mostrar no corpo o trabalho essa dificuldade. Um
material comparativo que pode ser utilizado é a Coluna
Social do mesmo jornal( que pode trazer o parâmetro do
que é um homem branco e um negro). Essa informação
porém está explicitada pela fotografia que produz
conotações sensacionalistas à
matéria. É preciso fazer também. a discussão de
proteção da imagem (Direitos Humanos).
- Fotografia: elemento sensacionalista na página
policial? É preciso analisar o fato de
que muitas pessoas ao abrirem a página policial buscam
"encontrar" um conhecido. É uma forma de se
"reconhecer" na mídia. Os jornais utilizam a
fotografia que geralmente vem manchada de sangue para
melhor "atrair" seus leitores. Esse elemento
informativo traz o caráter de veracidade. Mas nesse
caso, tem também o poder de se tornar jornalísticamente
apelativo.
- Matérias de caráter exclusivamente
informativo. Isso é jornalismo? É
importante notar que o Correio da Bahia restringe o
espaço dado ao que chama de "Segurança"
apenas com os fatos ocorridos. O jornal não apresenta,
pelo menos nesse espaço (é preciso observar o
restante do jornal), discussões de especialistas
sobre o tema. Conta-se a dedo as matérias que falam das
modificações na atuação policial, ou nas
conseqüências de tais atividades. O jornal não propõe
discussão-avaliação do problema da violência na
cidade ou no Estado (ou pelo menos não o faz na página
de polícia).
- A ausência total de fontes em algumas
matérias. Um grande problema. Outro ponto
importante se refere a qualidade do material
jornalístico apresentado pelo jornal. Em primeiro lugar
é importante ressaltar que as matérias restringem-se ao
gênero informativo, e apresenta problemas como a
ausência de fontes ou a falta de apuração dos dados.
- Acompanhamento de notícias só ocorre
em alguns casos. Outra questão é o
acompanhamento pela imprensa da investigação. Em 118
matérias do Correio, poucas, muito poucas, tiveram um
acompanhamento do desdobramento da investigação
policial. A demora ou a ausência de apuração dos
crimes praticados deve ser apontada pelos jornalistas,
como prova de omissão. Por que não fazem esse trabalho?
Não é possível que só sejam investigados os casos de
vítimas que não tem passagem pela polícia, são
brancas ou pertencem a uma classe x. Parece que os
jornais não tem interesse em acompanhar alguns casos.
Que casos? ( Dossiê de Violência- p.18)