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Edicleide Silva da Silva |
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| Edicleide nasceu na cidade de Cabrobó
City, próximo ao fim do mundo e quase esquina com a
sapataria do Judas. Filha de Edimirço, um jagunço de
aluguel do coronel José Inocêncio e Clêide, cozinheira
da sede da fazenda. Edicleide teve uma infância muito
difícil com seus nove irmãos: Edieide, Edílson, Cleidílson,
Cleison, Clerso, Edireide, Milsonclei, Cremílsa e Mirêide.
Na roça de Cabrobó, comentava-se a semelhança profunda entre o coronel e a menina. Não se sabe ao certo o motivo deste resultado um tanto estranho, porém acredita-se na região tratar-se de um caso raro de admirous paternistrium, segundo a explicação de José Inocêncio : a admiração do pai, Edimirço da Silva, pelo coronel, acabou gerando uma "tar de imitação geisnética, moço, que feiz cum que minha fia ficasse inguarzinha ao sinhô dotô coroné".Tanto é assim que, ao passar na rua, Edimirço é quase sempre interpelado por amigos que gritam : "Vai, manso!!!!!Muuuuuuuuuuuu........" A inocência do pobre tabaréu fazia-o crer que isto ocorria pelo seu comportamento cismado, tal qual o de um boi. Apesar da aparência de hércules-quasímodo de seu pai, e das formas um tanto quanto avantajadas de sua mãe (manequim 58), Edicleide crescia e aparentava que se tornaria uma morena de pernas grossas, seios fartos e cabelos formosos. Olhos "oblíquos de cigana dissimulada", um doce estrabismo que já permitia antever o quanto de paixões ela despertaria... O clima de paz na família de Edicleide só deixava de imperar em raros momentos, com as pequenas surras de cipó caboclo, dadas por seu pai, nos 10 filhos e na mulher. Normalmente, o ato era movido a conhaque e, depois, como prova de arrependimento, Edimirço deixava a sua família "num bainzin de sá grosso pramode num pegá bichêra". Edicleide seguia os passos de sua mãe ("quem segue aos seus não despiroca", já dizia o torto ditado popular da região) e aos 12 anos já chamava atenção por ser muito prendada. Na escolinha da região, era a mais paparicada pelo diretor, que sempre ficava até o fim da tarde corrigindo com ela questões de Botânica, a portas fechadas "para não perturbar a inspiração da garota". Os moleques perturbavam Edicleide, gritando "botanicá, botanilá, botano em todo lugar", mas ela não se incomodava. Sabia que seu futuro não era naquela cidadezinha. Aos 17 anos, Edicleide foge com a trupe do circo "El Pintòn Cabrucho" e vai para Salvador, trabalhando como auxiliar do atirador de facas e do engolidor de fogo. Depois, impelida pelo sonho de ser top model, larga a promissora carreira de Gostosa Circence e vai trabalhar como "garçonete" num clube noturno para maiores de 18. Hoje, aos dezenove anos, ela é Isadora Malone, a mais simpática, desejada e conhecida moradora do edifício Palais du Bordeux, mas sua vida não é bem o que se pode chamar de mar de rosas: despedida por não conseguir mais trabalhar sem tirar a roupa, ela aguarda a sua chance nas capas de revistas, se preparando entre cremes, tinturas, maquilagens e... comprimidos anticoncepcionais! |
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