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Entrevista

 

AIex Dias Ribeiro

Diretor do Atletas de Cristo, ele tem mais de 25 anos de carreira, com 218 corridas, 24 vitórias, 48 carros, 16 categorias do kart à Fórmula 1 e sempre com a mesma mensagem: "Cristo Salva" a mais de 200 Km por hora.

Alex Dias Ribeiro começou sua carreira em 1967 junto com três colegas de universidade, com um carro construído no fundo do quintal. Depois de muito suor Alex tornou-se vice-campeão brasileiro, vice-campeão inglês e vice-campeão europeu. Hoje é o Presidente do ministério Atletas de Cristo, que surgiu com o trabalho pioneiro de João Leite e Baltazar. É um trabalho árduo, pois pregar o Evangelho em meio a desportistas, é mesmo difícil. Mas o objetivo dos associados não é só pregar, mas mostrar, através de suas atitudes, a vida de Cristo. Preocupado em manter a boa imagem do Evangelho nos campos, quadras e nos campeonatos, Alex Dias Ribeiro nos conta como é dirigir este grupo, como montar um na sua cidade e como fazer a vontade de Deus com o que possuímos Vale a pena conhecer, orar e participar do ministério Atletas de Cristo.

Gosper - Como você definiria os"Atletas de Cristo"?

AIex- O Atletas de Cristo não é uma igreja, não é um time de futebol, não é um sindicato de esporte, não é religião, nem seita. É apenas uma associação de atletas cristãos de várias igrejas e denominações, de várias classes sociais, de vários esportes, que tenha por objetivo comum seguir os mandamentos de Cristo; da maneira como eles são ensinados na Bíblia; que crê que Ele é único caminho que leva o homem a Deus. Somos uma organização sem fins lucrativos, uma agência missionária co-eclesiástica, como braço da igreja. Atingindo um segmento específico da sociedade, onde a igreja não tem facilidade de penetrar.

G- O esporte ainda é considerado como "pecado" em algumas denominações evangélicas. Como você lida com esta situação?

A- Eu ando procurando não bater de frente, seguindo nosso caminho, tendo certeza que essa é a vontade de Deus. O esporte é o melhor veículo, a meu entender, de se levar o Evangelho a todas as Nações. A oposição é cada vez menor e hoje, eu diria que, o que nós temos sentido na pele é pouquíssima a oposição comparada com o que sentíamos no começo quando se pregava de púlpito que a bola é o diabo; hoje a coisa já mudou muito de figura; a situação é contrária. A maioria das igrejas só quer saber de levar atletas famosos para dar testemunho. Nós temos um trabalhão, tentamos colocar para eles que esta não é a melhor forma de se usar o esporte como meio de levar o Evangelho a toda criatura. Nós já identificamos 35 modos diferentes de falar de Cristo através do esporte e Deus tem usado isso de uma forma poderosa no Brasil e no mundo inteiro. Muita gente tem chegado aos pés de Cristo.

G- Todos os desportistas evangélicos podem ser denominados A.C. ou precisam de uma filiação burocrática?

A- Não. Nós temos registrado em nossos computadores o pessoal que preencheu a ficha de adesão ao ministério do A.C. Temos 6.500 atletas. Para mim, qualquer sujeito que é de Cristo primeiro e pratica algum esporte depois, é A.C. Eu faço questão de evidenciar este ponto: não é um bando de esportistas cristãos; é um bando de cristãos esportistas. Bando não: conjunto. Bando é feio (risos). O que eu quero dizer é que a filiação burocrática é menos importante que a ideológica.

O- Alguns atletas possuem um questionável comportamento cristão. Que posição é tomada por vocês? Estes atletas são acompanhados?

A- São acompanhados os que querem ser acompanhados. Nós temos 146 grupos locais espalhados pelo Brasil e pelo mundo inteiro onde a gente se reúne uma vez por semana e temos treinado esses líderes a promoverem o crescimento desses atletas. Nós encorajamos esses atletas, depois de receberem o "leite espiritual" porque parece que 90% dos atletas foram ganhos pra Cristo através da influência direta ou indireta do ministério de A.C. Depois que eles se convertem a gente procura encaminhá-los à igreja e a igreja é uma opção do atleta. É ele que decide que tipo de igreja quer, que tipo de culto prefere, se quer ser carismático, tradicional. Isto é uma opção dele. Nós não temos uma linha doutrinária própria: somos apenas uma associação de atletas cristãos. Por isso deixamos a disciplina também por conta da igreja. A nossa parte é incentivar a estarem debaixo da autoridade dos pastores, a darem os seus dízimos na igreja. Só que nesse processo, alguns pastores dão ênfase muito grande a atletas famosos e começam a pô-los no púlpito antes de estarem preparados para isso. Não discipulam nem disciplinam quando eles "pisam na bola". Daí essas aberrações que vocês têm visto: alguns atletas têm um comportamento que não condiz com o discurso. Nós não exercemos a função de discipliná-los porque não somos igreja, e essa é uma função dela. Mas procuramos orientar. Se vocês tiverem dúvidas se esse cara é A.C. ou não, é só olhar o fruto: quem é de Cristo, a Bíblia é bem clara: "Pelos frutos os conhecereis". Nós vivemos em um tempo onde a coisa inverteu e hoje dá status dizer que é Atletas de Cristo.

G- Qual o procedimento para se instalar um grupo de A.C. em uma cidade onde ele não exista?

A- Bom, o primeiro procedimento é achar alguém que seja atleta, que possa trabalhar com atletas. A combinação perfeita é um pastor e um atleta. Essa dobradinha dá um resultado tremendo. O segundo passo é ter uma matéria prima, que é um atleta e alguém que fale para ele procurar conhecer qual a visão e a missão, quais são os objetivos do A.C. A gente não existe pra fazer "oba, oba", nem pra ganhar IBOPE ou aparecer. Nosso negócio é falar de Cristo ao Atleta, discipular para que ele seja um atleta nota 10, com a "cara de Cristo", aquele que seja a luz do mundo e sal da terra, afim de que, através da vida, do testemunho e da palavra, muitas pessoas queiram ser como ele é e se chegar até Cristo.

G-- Hoje existe uma "facilidade" em pessoas famosas aceitarem a Deus. Qual o cuidado que os A.C. tomam para preservar a integridade cristã e o testemunho de seus membros?

A- O discipulado é a palavra chave. Se o atleta não for discipulado de uma forma bem feita, honesta, onde ele saiba que a grande vitória foi aquela que Cristo conquistou na cruz e não as vitória aqui de baixo; se ele for atleta nota dez, automaticamente o testemunho é conseqüência do que lhe vai dentro. A boca fala o que o coração está cheio o coração e o nosso negócio é encher o coração com as coisas certas. Infelizmente, nem todos estão debaixo da nossa orientação e essa opção, para tanto, é o que faz. Mas os que querem, a gente tem procurado os ensinamentos de Cristo de uma forma séria e sempre de maneira a preservar o testemunho de seus membros.

G- Quais os objetivos dos A.C.?

A- A visão é que é possível alcançar o mundo inteiro para Cristo através da linguagem universal do esporte. A missão é "Ide por todo clube e anunciai o Evangelho a todo goleiro; todo atleta". O alvo é fazer isso com nossa geração. Nós cremos que temos recursos técnicos, espirituais e humanos para dar conta do "ide" do nosso tempo. O nosso produto é o atleta nota dez, aquele que maneja a Palavra tão bem quanto a Bíblia, tão bem quanto a bola, que é seu instrumento de esporte e que viva de acordo com o que prega.

G- Quais as tividades realizadas?

A- Nós temos os nossos grupos onde os atletas são evangelizados e discipulados. Eles se reúnem uma vez por semana nos 147 grupos. Estamos desenvolvendo material didático, que não existia, que ensina como fazer ministério esportivo. Estamos aprendendo à medida em que estamos desenvolvendo este livro. Todo material produzido é destinado a nossos grupos locais. Nós treinamos os nossos líderes, passando esta visão em seminários regionais e viajando pelo Brasil inteiro. Esquematizamos toda nossa assembléia através do Jornal dos Atletas de Cristo. Visitamos igrejas, passando sempre para elas a visão de que o nosso seminário é a maneira como cada cristão nesse país e no mundo já pode fazer uma tabelinha com a gente: o atleta jogando a semente e eles regando, afofando a terra e colhendo o fruto para dentro de sua igreja. Só quando nós conseguirmos engrenar essa tabelinha com a igreja é que vamos atingir o pleno potencial que este ministério tem e para isso nós estamos visitando pastores, congressos e fazendo uma conscientização global do que podemos trabalhar juntos.


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